Muito além do CO2: Temas para uma agenda ESG brasileira

Muito além do CO2: Temas para uma agenda ESG brasileira

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Atualmente, os critérios ambientais, sociais e de governança (ESG - Environmental, Social and Governance) são indispensáveis no mundo corporativo do Brasil e do mundo. 

A sigla está pautada em estratégias de redução de riscos ambientais e sociais, comportamentos e investimento. Empresas que usam os padrões ESG possuem maior probabilidade de sucesso no longo prazo. (Leia também o texto “Diagnóstico e Integração ESG”)

A maior parte da agenda pautada pelas empresas e investidores se dá através do tema das emissões de dióxido de carbono. Entretanto, sabemos que diversas outras pautas podem ser relevantes para uma agenda ESG sustentável.

Leia o texto até o final para saber mais sobre este tema! 

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Pautas ESG: Sustentabilidade para além do CO2
Em 2022, conselhos corporativos e líderes governamentais enfrentarão uma pressão crescente para demonstrar que estão adequadamente equipados para entender e supervisionar questões ESG.

Juntamente com o clima, a biodiversidade e outras preocupações ambientais e questões sociais – como diversidade, equidade e inclusão e bem-estar dos trabalhadores – parecem prestes a permanecer no centro das atenções, principalmente porque estão cada vez mais inseridos em discussões ESG mais amplas.

Dessa forma, deve-se ter pautas ESG relacionadas a todos os aspectos relevantes à gestão sustentável do empreendimento, tirando o foco apenas das emissões de carbono, para que os resultados sejam cada vez mais concretos.

As crescentes demandas por ação provavelmente aumentarão a pressão por mais responsabilidade, maior escrutínio regulatório e divulgação confiável apoiada por melhores dados. 

Agenda ESG brasileira e temas sustentáveis de urgência

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A crise climática atual é o alvo de maior preocupação nas questões ambientais e na política global. Esse tema também abrange uma série de outras questões – desmatamento, destruição da biodiversidade, poluição e direitos humanos, entre outros. Em última análise, trata-se da saúde e resiliência do planeta, que sustenta o bem-estar daqueles que o habitam. 

Essa ampla narrativa motiva as pessoas a pensar sobre esses problemas de maneira significativa e transformar esse pensamento em ação - o risco é que a abordagem da mudança climática perca o foco e seja usada para promover suas agendas variadas.

De fato, a transição energética é pauta fundamental nas maiores potências mundiais, tais como nos Estados Unidos, China e países da Europa. No Brasil, cerca de 80% da matriz energética vem das Usinas Hidrelétricas, uma fonte de energia considerada renovável. 

Além disso, o Brasil é um dos países com maior taxa de desmatamento e de desigualdade social. Assim, abordar outros temas para além das emissões de carbono são essenciais na agenda ESG brasileira.

Alguns temas ESG podem ser abordados pelas empresas e investidores brasileiros para uma melhor gestão sustentável, tais como:

Justiça Social: desigualdade e racismo

Nos últimos anos a Agenda ESG tem se concentrado em maior parte no “E” (ambiental) e no “G” (governança), estando os dados associados ao “S” (social) mais defasados. 

Investidores, conselhos e organizações de classificação ESG estão agora gravitando em direção a um maior interesse em tópicos sociais – impulsionados pela pandemia do novo coronavírus (COVID-19) e pelo movimento de justiça social que visa expor e abordar o racismo sistêmico em todas as áreas da sociedade.

De fato, a justiça social talvez tenha sido o tema principal dos eventos de 2020: os efeitos do racismo sistêmico, a desigualdade no acesso à saúde, à justiça e à educação e os desequilíbrios extremos de riqueza foram aparentemente revelados diariamente.

O Brasil é um país pobre e desigual, e visando a abordagem de empreendedorismo sustentável, a questão social deve ser uma das mais relevantes para as empresas e para a Agenda ESG.

A comunidade local associada ao empreendimento deve ser levada em consideração, dando oportunidades e entendendo os impactos negativos que podem ser causados. Além da inclusão social, o racismo é uma pauta muito relevante para a agenda ESG brasileira, sendo o Brasil um dos países mais racistas do mundo.

“A diversidade vai muito além do número de cabeças, de perguntar quantos negros a empresa tem e ir fazendo os ‘checks’. Essa agenda tem que estar num nível estratégico, tendo em consideração que, quanto mais diverso for o grupo de colaboradores, mais perspectivas diferentes para o negócio você vai ter”, diz Daniel Izzo, da Vox.

Igualdade de gênero 

As mulheres ainda são minoria em cargos de liderança e apresentam disparidade salarial em relação aos homens. Os investidores estão cada vez mais incorporando avaliações da diversidade e equidade de gênero das empresas para determinar como elas podem responder aos riscos e oportunidades ESG.

Um estudo inovador da S&P Global Market Intelligence descobriram que as empresas com CFOs do sexo feminino são mais lucrativas e apresentaram desempenho superior no preço das ações em comparação com a média do mercado. 

A pesquisa também mostrou que as empresas com  alta diversidade de gênero em seu conselho de administração foram mais rentáveis ​​e maiores do que as empresas com menos diversidade de gênero. 

No geral, a S&P Global Iniciativa #ChangePays, que explora a importância da igualdade de gênero e economias inclusivas, mostra as vantagens financeiras que as empresas com diversidade de gênero têm sobre seus pares. 

Como a diversidade de gênero desempenha um papel maior na estratégia e no desempenho corporativo, as empresas que lutam para avançar na inclusão podem representar riscos para os investidores. O assunto está ganhando força e publicidade, mas especialistas entrevistados no S&P Global Market Intelligence Podcast ESG Insider dizem que fechar a lacuna levará anos.

De forma geral, alguns iniciadores de pensamento social para a Agenda ESG são:

  • Segurança e saúde dos funcionários, treinamento, equipamentos de proteção – quais programas você implementou em resposta à pandemia, o que seus dados dizem sobre a eficácia desses esforços, o que você aprendeu e com o que você pode se comprometer por mais tempo prazo?
  • Gestão de capital humano – o que você fez para reter pessoas-chave durante a pandemia, lidar com cortes salariais inevitáveis, licenças e demissões de maneira ponderada, posicionar a empresa e seu pessoal para se recuperar da turbulência, facilitar acordos de trabalho remoto e gerenciar e envolver efetivamente uma força de trabalho remota?
  • Direitos humanos – você tem uma política de direitos humanos publicada, é relevante e aplicada em todas as regiões em que você opera, como você avalia sua eficácia, como você lida com a não conformidade e quão bem você está monitorando sua cadeia de suprimentos ?
  • ODS da ONU – se os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU não fizeram parte de seu relatório até o momento, agora pode ser a hora de dar seu apoio aos objetivos da ONU, como Sem Pobreza, Fome Zero, Boa Saúde e Bem-Estar, Educação de Qualidade, Gênero Igualdade, Desigualdades Reduzidas, Paz, Justiça e Instituições Fortes?
  • Diversidade, equidade e inclusão – você tem uma política, quais são seus objetivos e métricas, o que você vai fazer de diferente, quanta mudança é necessária e com que rapidez você se moverá?
  • Diversidade no conselho – muitas empresas fizeram progressos na diversidade de gênero no conselho (com pelo menos duas mulheres na diretoria, por exemplo), mas como você vai lidar com a diversidade racial e étnica (que não é tão bem desenvolvida)?
  • Justiça ambiental – com ângulos ambientais e sociais, você está pronto para que isso se torne um tópico ESG proeminente? (Raramente vemos isso abordado nos relatórios atuais, mas achamos que receberá mais atenção no futuro.)

Biodiversidade - Proteção da Amazônia e Desmatamento

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Além do foco nas questões sociais da Agenda ESG, a pauta ambiental deve ser levada em consideração, sobretudo a questão da Amazônia e de sua perda de biodiversidade - ponto de extrema relevância para uma gestão sustentável no Brasil e no mundo.

Além disso, as questões ambientais e climáticas também afetam a justiça social, visto que as populações mais pobres e vulneráveis são as mais afetadas. 

Dados divulgados recentemente pelo INPE constataram que a área de floresta amazônica destruída em janeiro de 2022 foi cinco vezes maior do que no mesmo mês do ano passado. E um novo relatório da ONG Amazon Watch alertou para novos planos de mineração em terras indígenas, o que reduziria ainda mais a floresta tropical.

A perda da cobertura florestal tem fortes implicações para as mudanças climáticas e a biodiversidade. As florestas armazenam carbono, que é liberado de volta à atmosfera quando as árvores são derrubadas. 

Uma declaração da COP 26 sobre florestas e uso da terra enfatizou os “papéis críticos e interdependentes das florestas de todos os tipos, biodiversidade e uso sustentável da terra para permitir que o mundo atinja suas metas de desenvolvimento sustentável; ajudar a alcançar um equilíbrio entre as emissões antropogênicas de gases de efeito estufa e a remoção por sumidouros; para se adaptar às mudanças climáticas; e para manter outros serviços ecossistêmicos”.

A pauta principal do “E” (ambiental) na Agenda ESG brasileira deve ser portanto a proteção da biodiversidade e da Amazônia - além disso, este tema mescla com a questão do carbono, visto que o desmatamento no território brasileiro é a maior fonte de emissão de CO2 no Brasil.

O mundo vem pressionando o Brasil sobre o desmatamento da floresta amazônica dentro de suas fronteiras há décadas. Novas iniciativas no estilo ESG estão sendo adotadas por bancos e empresas brasileiras, mas pode ser o impacto climático mais próximo de casa que está criando o ímpeto para mudanças reais.

Empresas que atuam diretamente na Amazônia, como o agronegócio e mineradoras - “Empresas como Vale, Suzano, Eneva, JBS e demais frigoríficos e Natura têm que ser as primeiras a olhar isso. Têm que ter o compromisso de proteger a floresta. A Amazônia é a calçada dessas empresas e cada um tem que manter a sua calçada limpa, até para continuar operando, porque a sociedade vai cobrar e querer saber como estão lidando”, diz Fábio Barbosa.

Porém, cabe a todas as empresas exigir rastreabilidade da sua cadeia de fornecimento e comércio justo. Marcio Correia destaca também o papel dos bancos e políticas de financiamento que desincentivem o desmatamento.

Sobre a questão da compensação de CO2  que tomou conta das empresas, talvez não seja a melhor saída nesse aspecto. Izzo, da Vox, fez um alerta: “Me dói o estômago ouvir falar de compensação. Então podemos fazer os maiores absurdos e depois dar um dinheiro para plantar uma árvore? O Brasil precisa sair urgentemente dessa lógica de compensação, porque a natureza não se regenera na velocidade do crescimento dos lucros.” 

O papel das florestas como sumidouros de carbono e fontes de biodiversidade é bem reconhecido, mas as ações para limpar as cadeias de suprimentos são lentas para reduzir as taxas de desmatamento - é preciso levar essa pauta como uma das principais nos empreendimentos.

ESG - Por uma visão sustentável mais ampla 

Fica claro que temas de extrema importância devem ser o foco da Agenda ESG brasileira, sobretudo na questão social e da Amazônia. A visão sustentável deve ser ampla e promover uma gestão adequada com base nas pautas de maior relevância.

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Referências:

https://www.spglobal.com/esg/insights/key-esg-trends-in-2022

https://www.sustainalytics.com/esg-research/resource/investors-esg-blog/5-sustainability-themes-to-expect-in-2022

https://www.dix-eaton.com/our-blog/the-s-in-esg-stands-for-social-not-soft/

https://www.globaleng.com.br/noticias/339/muito-alem-do-co2:-cinco-temas-para-uma-agenda-esg-brasileira

https://www.spglobal.com/en/research-insights/articles/how-gender-fits-into-esg

https://www.rbcwealthmanagement.com/en-us/insights/the-rise-of-social-justice-investingand-how-to-get-started

https://www.euromoney.com/article/294d2iskfibg49jqaeww0/esg/will-amazon-deforestation-finally-lead-to-a-financing-drought

https://www.esginvestor.net/esg-explainer-halting-deforestation/

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