O que são resíduos e efluentes?

O crescimento populacional acelerado cria diversas demandas sociais nos mais variados degraus da sociedade, e como consequência disto, ocorre um aumento na geração de resíduos domésticos, resíduos industriais e efluentes. Quando não ocorrem a destinação e os tratamentos corretos, há consequências negativas para a sociedade. Para minimizar ou excluir os impactos, existem leis e órgãos regulamentadores no Brasil, como a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) (Lei n° 12.305/2010), que dispõe sobre a destinação correta dos resíduos sólidos, e a Resolução CONAMA nº 430/2011, que dispõe sobre os padrões de lançamentos de efluentes.

Assim, conforme a PRNS, os resíduos sólidos são definidos como material, substância, objeto ou bem descartado que resultam de atividades humanas em sociedade. A destinação desse tipo de material se dá em estados sólido ou semissólido, gasoso e líquido. Resíduos líquidos são aqueles cujas características inviabilizam o lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou quando não existem tecnologias eficientes para o seu tratamento.

Os efluentes, por sua vez, podem ser líquidos ou gasosos, e dividem-se em domésticos ou industriais. Devem ser tratados antes do lançamento no meio ambiente, para não causar poluição ou contaminação do solo, das águas superficiais e subterrâneas.  Efluentes domésticos são aqueles que têm origem a partir das residências, hotéis, bares, clubes e comércio em geral.  Já os efluentes industriais são aqueles provenientes dos processos de produção industrial.

Os resíduos e efluentes poluem?

Os resíduos sólidos que não têm um destino adequado e os efluentes que não são submetidos a tratamentos eficientes podem comprometer a qualidade dos mananciais hídricos e causar sérios danos ambientais e à saúde humana. São exemplos dessas situações a poluição de rios, águas subterrâneas e solo, e o surgimento de diversas doenças, como cólera e hepatite A e B. Além disso, quando efluentes gasosos não tratados são dispostos na atmosfera, podem causar problemas respiratórios na população, além de dispor de óxidos de nitrogênio e compostos de enxofre que dão origem aos principais componentes da chuva ácida, contribuindo ainda para o aquecimento global, como mencionado no blog da Água sustentável.

Em 2019, a média nacional para tratamento dos esgotos gerados foi apenas de 49,1% (Trata Brasil, 2021). Isto mostra que esta questão ainda é um dos grandes desafios a ser superado em nosso país. Um exemplo da grande poluição de águas superficiais é o Rio Tietê, localizado no estado de São Paulo. Este Rio está poluído devido ao lançamento de efluentes não tratados desde a década de 30, deixando-o morto, com condição péssima e ruim em uma extensão de 154,7 km, como apontado pela SOS Mata Atlântica (2015).

A Hidroplan realiza uma série de serviços relacionados a resíduos e efluentes, tais como auditorias de geração de resíduos e estratégias de minimização, reciclagem e compostagem, reuso, planos e programas de gerenciamento de resíduos e efluentes (PGRS), sistemas de tratamento físico, químico e biológico, avaliação de tecnologias e estudos de viabilidade, classificação de resíduos e efluentes, projetos, operações e planos de descomissionamento, programas de monitoramento de conformidade, logística reversa e CADRI.

Quais tipos de ações se deve ter quanto aos resíduos e efluentes?

É necessário, então, que se tenha uma boa gestão e escolha dos melhores tratamentos. A gestão de resíduos sólidos deve compreender um planejamento, identificação dos tipos de resíduos, segregação e classificação dos materiais, transporte e destinação final em local adequado. Por exemplo, na etapa de transporte de resíduos, é importante saber que os materiais só poderão ser deslocados, no estado de São Paulo, com Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental (CADRI). O CADRI é um documento emitido pela CETESB que autoriza o encaminhamento de resíduos de interesse a locais de reciclagem, reprocessamento, armazenamento, coprocessamento, aterros, tratamento ou disposição final devidamente licenciada pelo órgão Ambiental.

Quanto à identificação e segregação dos resíduos, deve-se atentar para a norma ABNT NBR 10004/2004, que os classifica quanto aos potenciais riscos ao meio ambiente e a saúde pública, de modo a promover um gerenciamento adequado, conforme o seguinte:

  • Resíduos perigosos (Classe I) – que apresentam características de: inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade.
  • Resíduos não perigosos não inerte (Classe II A) – são aqueles que não são inertes e podem ter propriedades tais como: biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água.
  • Resíduos não perigosos inertes (Classe II B) – são aqueles que não tem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor.

Dentre os métodos utilizados para tratar resíduos sólidos incluem-se: aterro sanitário, processamento, coprocessamento, incineração com ou sem recuperação de energia, reciclagem e compostagem. Mesmo com as diversas técnicas de tratamento de resíduos sólidos, cuidados são necessários, pois a sua decomposição produz gases e líquidos lixiviados tóxicos para o meio ambiente, como no caso de aterros sanitários. Existe uma gama de contaminantes que são oriundos de aterros sanitários, como a presença de metais no lixiviado que, sem o devido manejo, pode colocar em risco a qualidade natural do solo e dos recursos hídricos.

Quanto aos tratamentos de efluentes, também existem diversos métodos e a escolha vai depender se são domésticos ou industriais. No caso industrial, vai depender das características dos produtos envolvidos na produção. Contudo, de modo geral, os métodos de tratamento consistem em uma série de processos físicos, químicos e/ou biológicos para eliminar os contaminantes presentes. Durante o tratamento, deve-se ter sempre como objetivo principal a produção de água, conforme os padrões de qualidades estabelecidos pela legislação. Deve-se também avaliar a possibilidade de reutilização dessa água no processo. A parte sólida resultante do tratamento, chamada de lodo, também pode ser inserida como matéria-prima de outros processos.

Avanços tecnológicos são necessários nos tratamentos de efluentes, pois também tem ocorrido evolução dos setores industriais, como os de síntese orgânica, que compreendem as indústrias de polímeros, farmacêuticas, de surfactantes, de corantes e indústrias de pesticidas, que geram espécies químicas até então inexistentes na natureza. Portanto, não há atividade enzimática específica responsável por sua depuração natural, ocasionando a produção de altos teores de cargas orgânicas preocupantes para a qualidade dos aquíferos e rios, além de outros compostos com representativa toxicidade.

Diante do exposto, mostra-se a necessidade de uma gestão eficiente de resíduos sólidos e efluentes domésticos e industriais em todos os campos, públicos ou privados, que é primordial para assegurar um meio ambiente equilibrado e a qualidade de vida da população. 

A HIDROPLAN possui expertise para apoiar empresas na gestão de resíduos, com viés de um futuro mais sustentável para o seu negócio. Entre em contato e venha nos conhecer.

 

REFERÊNCIAS:

Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT NBR 10004:2004 – Resíduos sólidos – Classificação.

Blog Água SustentávelPoluentes e efluentes: você sabe o que é Poluição Ambiental? Site: https://aguasustentavel.org.br/blog/66-poluentes-e-efluentes-voce-sabe-o-que-e-poluicao-ambiental

Instituto Trata Brasil. Ranking Do Saneamento Instituto Trata Brasil 2021 (SNIS 2019).  Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento - 2019. Brasília: SNS/MDR, 2021.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa nacional de saneamento básico 2017: abastecimento de água e esgotamento sanitário / IBGE, Coordenação de População e Indicadores Sociais. - Rio de Janeiro. 2020.        Site: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101734.pdf.

Ministério do Meio Ambiente - Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) Resolução no 430, de 13 de maio de 2011. Dispõe sobre as condições e padrões de lançamento de efluentes, complementa e altera a Resolução no 357, de 17 de março de 2005, do CONAMA.

SOS Mata Atlântica.  Obserrvando o Tietê: o retrato da qualidade da água e a evolução dos indicadores de impacto do Projeto Tietê. Site:  https://www.sosma.org.br/wp-content/uploads/2015/09/relatorio-Tiete-2015_OK.pdf.