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Publicado em 16/12/2015 por Everton de Oliveira | Deixe um comentário

 

 

Apenas a menção do nome de alguns contaminantes causa frio na espinha em muitas pessoas. Não sem razão. Compostos cancerígenos, xô, me inclua fora dessa.

 

Mas somente a compreensão do comportamento destes contaminantes em meio ambiente é que nos vai trazer segurança em relação a como devemos proceder para evitarmos o contato e protegermos a nós e às gerações futuras.

 

O meio ambiente físico é dividido em três partes: sólidos, líquidos e gases. Como cada contaminante possui propriedades características que lhes são intrínsecas, eles tendem a se dividir (particionar, no jargão técnico-científico) preferencialmente para alguma dessas fases. Os compostos voláteis tendem a permanecer em maior quantidade na fase gasosa.

 

Os compostos muito solúveis, por sua vez, tendem a se particionarem (olha o jargão) para a água. E há aqueles aos quais o título desta matéria se refere que não gostam nem do gás e nem da água, preferindo ficar presos nos sólidos. E sólidos em meio ambiente físico são as partículas formadoras do solo e dos aquíferos.

 

Estes contaminantes, também classificados como hidrofóbicos (o nome diz tudo) e não-voláteis (idem), ao se aderirem às partículas sólidas, somente serão transportados caso estas partículas o sejam. Caso as partículas não se movam, os contaminantes permanecem paradinhos onde se fixaram. E, caso não se degradem, ali permanecem.

Uma propriedade que indica o quanto um composto prefere ficar preso às partículas do solo é o KOW, ou coeficiente de hidrofobicidade. Quanto maior o KOW, maior a hidrofobicidade. Ele e varia exponencialmente.

 

Ao compararmos alguns compostos cancerígenos selecionados, podemos perceber como alguns deles são mais ou menos móveis. Benzo(a)pireno, presente em baixa concentração no óleo diesel, é o menos móvel dos selecionados, BHC, um pesticida banido, o segundo menos móvel, Benzeno, presente na gasolina, é móvel e o cloreto de vinila, um solvente clorado, é muito móvel.

 

 

Um exemplo dos compostos que preferem as partículas sólidas, portanto, é o BHC ou lindano (um dos nomes comerciais ou “apelidos” do ciclohexano hexaclorado, mas não se fixem neste nome técnico, poucos o conhecem). Este foi um pesticida muito difundido até quase meados do século passado, sendo muito eficiente, muito potente e muito persistente.

 

Em termos de se eliminar as pragas vivas da lavoura, campos, industrias, residências etc., era literalmente fatal. Ao ter sido caracterizado como cancerígeno, foi banido, teve sua produção proibida. Claro que o mundo é mundo e ainda se produz este produto, ao menos na China e na Índia, mas este não é nosso foco aqui.

A título de exercício, imagine que você usasse alguma forma de pesticida na sua lavoura, ou no seu jardim, por exemplo. Se vier uma chuva forte e o pesticida for altamente solúvel, ele será completamente lavado e lixiviado, tornando sua aplicação de produto completamente inócua.

 

Além de desperdiçar seu dinheiro, você ainda transferiu o pesticida para a água, que poderá atingir seres vivos longe dali. Péssimo para você, péssimo para o seu bolso e, principalmente, péssimo para o meio ambiente.

 

Agora, se o pesticida da sua escolha for hidrofóbico e não-volátil (jargão, jargão), ou seja, não solúvel e não volátil, ele vai preferir ficar preso às partículas do solo e, com isso, não será levado pela chuva, prolongando sua ação e restringindo-a ao seu local de aplicação. Estes são os contaminantes pouco móveis.

Em resumo, mobilidade de contaminantes em meio ambiente físico está relacionada diretamente à preferência do contaminante pela água e pelo gás, muito, muito mais pela água.

 

Os contaminantes pouco móveis são também conhecidos como contaminantes de solo. E a lista destes compostos é longa, incluindo PCBs, poliaromáticos e outros nomes que causam arrepio.

 

E estes contaminantes oferecem risco se houver contato direto com o solo contaminado. Água e ar não são sua praia, neste caso, preferem a areia...

Por outro lado, como os contaminantes de solo não se movem, se eles não estiverem à superfície, dificilmente oferecem risco, pois somente o contato direto o faria. Portanto, imobilidade em meio ambiente pode ser uma vantagem significativa, torna os compostos muito menos assustadores e perigosos.

 

Nada mal para certos vilões.

 

 

 

Publicado em 16/12/2015 por Everton de Oliveira
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EVERTON DE OLIVEIRA
GUSTAVO ALVES DA SILVA
Geólogo,  MBA em Meio Ambiente pela Escola Politécnica da USP,  sócio da HIDROPLAN, Vice Presidente da ABAS e membro do conselho da Revista Água e Meio Ambiente Subterrâneo.
DANIEL CARDOSO
Geólogo, mestrado em SIG pelo IGCE- UNESP, Vice Presidente da APG - Associação Paulista de Geólogos 
 

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