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Publicado em 04/09/2015 por Divulgação | Deixe um comentário

Até alguns anos atrás os rios alemães eram inundados com resíduos tóxicos. Após desastres ambientais e protestos surgiu uma política ambiental que mudou muita coisa. Os peixes voltaram, e a água é própria para banho.
 

Melhorar a qualidade da água e do tratamento de esgoto na Alemanha exigiu que as autoridades se desdobrassem em busca de soluções. "O estado dos rios melhorou significativamente e o problema de descarte tóxico por parte da indústria está praticamente resolvido", diz Gehard Wallmeyer, membro fundador do Greenpeace no país.

Nos anos 1980, os ambientalistas da ONG usaram um navio laboratório para analisar o que a indústria despejava nos rios. "As autoridades permitiam o descarte de resíduos como as empresas desejavam. Praticamente não havia restrições e tudo ocorria em segredo. Com a nossa pesquisa e análise, a prática tornou-se pública – o que gerou muito tumulto político", conta Wallmeyer.

Catástrofes ambientais também chamaram a atenção da população e de políticos para o assunto. Em maio de 1986, a usina nuclear de Chernobil, na antiga União Soviética, explodiu e contaminou boa parte da Europa com radioatividade. Meio ano depois, após um grande incêndio na empresa química Sandoz, pesticidas e mercúrio altamente tóxicos foram despejados no Rio Reno, na altura da cidade de Basileia – na fronteira franco-suíça – matando peixes e pequenos organismos ao longo de maisde 400 quilômetros. A água potável também foi contaminada em diversos lugares.

Como reação, o então chanceler federal alemão Helmut Kohl criou, em 1986, o Ministério do Meio Ambiente. "Todos esses acontecimentos tiveram como consequência a introdução de medidas drásticas: leis foram estabelecidas, as autoridades reagiram, e as empresas procuraram alternativas mais ecológicas", explica Wallmeyer.

Política ambiental

Nas décadas seguintes, a qualidade da água nos rios melhorou visivelmente. A indústria buscou processos de produção que respeitassem a natureza, e por toda parte foram construídas estações de tratamento de águas residuais, onde o esgoto é tratado principalmente com a ajuda de bactérias.

O tratamento de efluentes é financiado proporcionalmente: quem suja menos, gasta menos, quem suja mais – e descarta água muito contaminada – paga mais caro.

Os fosfatos, que até a década de 1980 podiam ser usados nos detergentes alemães, representavam outro problema sério. Descartado de forma irregular, o elemento promove a proliferação de algas, que diminuem os níveis de oxigênio na água e contribuem para a mortandade dos peixes.

Com a proibição de fosfatos nos detergentes e a extensão da restrição a outros produtos de limpeza, "a qualidade da água ficou muito melhor", diz Stephan Köster, do Instituto de Gestão de Águas Residuais e Proteção da Água da Universidade de Hamburg-Harburg. "A redução de fosfatos nos detergentes e o desenvolvimento do tratamento da água residual foram os marcos importantes."

A tecnologia para o tratamento de esgoto está tão avançada "que as águas residuais podem virar água para consumo de alta pureza", diz Köster. Até onde irá o tratamento do esgoto, porém, depende de empenho político. "Na Alemanha, podemos fazer ainda mais. O tratamento baseia-se exatamente no que a lei exige."

Hormônio na água

Os remédios são um grande problema para as águas. O tratamento de esgoto não retém os medicamentos, que acabam sendo levados para os rios. "Hormônios deixam caracóis e anfíbios com características femininas, reduzindo a população de machos e interrompendo a reprodução", explica Wallmeyer.

A Agência Federal do Meio Ambiente (UBA, na sigla em alemão) busca medidas para conter o problema. "Algo precisa ser feito a respeito. Os medicamentos não podem ser jogados no vaso sanitário, e as estações de águas residuais precisam de uma etapa adicional de purificação", recomenda Jörg Reichenberg, da UBA.

A Suíça é pioneira no assunto, porque tem leis a respeito sendo postas em prática. Segundo a UBA, os gastos de um tratamento adicional de águas residuais são aceitáveis. "Por ano e por pessoa, os custos adicionais seriam de 16 euros por ano", diz Reichenberg.

Adubo demais

Já a agricultura ameaça a água potável. Durante décadas, os agricultores fertilizaram o solo com esterco das fábricas de ração animal. O estrume – com o fosfato e o nitrato nele contido – se infiltra através do solo e contamina águas subterrâneas, rios e lagos.

Os danos são imensos. A concentração de nitratos cancerígenos nas águas subterrâneas aumenta cada vez mais e, com ela, o custo do tratamento da água, que deve ser pago pelos consumidores.

Até agora, pouco mudou na Alemanha a esse respeito. A Comissão Europeia ameaça abrir processo por infração devido a níveis elevados de nitratos na água potável.

O governo alemão quer enfrentar o problema. Prevê-se que, futuramente, os agricultores precisarão documentar exatamente o manejo do estrume. Se eles tiverem muito animais – e muito esterco – deverão exportá-lo. Fertilizar o campo como tem sido feito até agora deve render multa.

Céticos e otimistas

A aposta é que essas medidas vão melhorar bastante a qualidade da água. Mas também há quem duvide de uma mudança significativa enquanto a agricultura for industrializada.

Para melhorar a qualidade da água, na avaliação de Reichenberg, "é preciso promover a agricultura orgânica." Seu colega Dietrich Schulz, especialista em pecuária na Agência Federal do Meio Ambiente, concorda, mas é mais cético. "A economia agrícola vai, infelizmente, na direção oposta."

 

Fonte: Terra Ciência | 03/09/15


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EVERTON DE OLIVEIRA
GUSTAVO ALVES DA SILVA
Geólogo,  MBA em Meio Ambiente pela Escola Politécnica da USP,  sócio da HIDROPLAN, Vice Presidente da ABAS e membro do conselho da Revista Água e Meio Ambiente Subterrâneo.
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Geólogo, mestrado em SIG pelo IGCE- UNESP, Vice Presidente da APG - Associação Paulista de Geólogos 
 

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